Uma Noite na Igreja em Viena

Rumo à nossa nova casa na Holanda, estamos nos despedindo de Viena (na verdade, eu já me despedi) e, nestes momentos finais, vale a pena aproveitar o que a cidade tem de melhor: a sua vida cultural… É neste espírito que o marido (Luciano) compareceu a dois eventos em Viena: o Bier Festival (Festival da Cerveja – precisa *mesmo* traduzir?) e a Lange Nacht der Kirchen (Longa Noite das Igrejas). Melhor deixar o Luciano contar sobre a experiência, né?Realmente, Viena é uma capital multi-cultural, com uma intensa programação ao longo do ano. Um bom exemplo é o Wiener Festwochen, um festival que começou no dia 27 de maio e segue até 30 de junho e conta com uma programação específica para cada bairro da cidade. Ao longo de 4 semanas, acontecem centenas de eventos em vários pontos da cidade, entre eles, o Bier Festival, no centro de Viena.

Neste post, vou contar sobre o meu programa de sexta, dia 27 de maio, a Lange Nacht der Kirchen. Similarmente ao evento de outubro de 2010, a Lange Nacht der Museen, a Noite das Igrejas (www.langenachtderkirchen.at) envolveu todas as igrejas cristãs da Áustria, num total de 715 igrejas, com mais de 3300 apresentações.

Apesar da chuva, foi estimado um público de 310.000 visitantes, sendo 120.000 apenas em Viena. Também pudera, a Lange Nacht de Viena contou com mais de 1000 programações diferentes, entre as quais apresentações de corais, canto gregoriano, orquestras, música clássica, barroca, leituras, momentos de silêncio e meditação, visitas a criptas, subida nas torres das igrejas e até missas…

Dentre as 1001 opções, tive de escolher algumas – infelizmente, não se pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo… =) Eis o meu roteiro da Lange Nacht der Kirchen:

1. St. Ruprecht

É a igreja mais antiga de Viena. Foi fundada no ano 740 e sofreu várias alterações pelos séculos, tendo sido restaurada internamente em 1997. Além de conhecer o interior desta igreja tão antiga, pude assistir a um concerto, que acontece há 15 anos. Eram apenas dois violoncelos, mas encheram a pequena igreja com sua melodia e encanto. Sem dúvida, um momento inesquecível num ambiente único.

St. Ruprecht

 

Interior da igreja de St. Ruprecht.

 

2. Griechisch-Ortodoxe Kathedrale
A comunidade grega ortodoxa da Santíssima Trindade foi fundada por um decreto do imperador Josef II em 1787. A atração da catedral é um alpendre com formas Bizantinas. Lá, assisti a uma apresentação de hinos e canções bizantinas da igreja ortodoxa, entoados por duas vozes que pareciam tomar todos os cantos da magnífica catedral.

Griechisch-Orthodoxe Kathedrale

 

Interior da Griechisch-Orthodoxe Kathedrale.

3. Virgilkapelle
A capela de Virgílio foi descoberta acidentalmente em 1973 durante a construção da estação de metrô e, posteriormente, foi incorporada como um espaço do museu na estação Stephansplatz. Esta construção, original da idade média, é uma das mais importantes do estilo gótico de Viena, construída entre 1220 e 1245. Naturalmente, escolhi ouvir uma apresentação de canto gregoriano (Deus salutaris – exaudi nos!). Havia uma grande fila para entrar, mas não demorou muito, pois as apresentações eram por grupo que, ao final de cada sessão, era convidado a dar espaço para o próximo. Mais uma coisa: de dentro da estação de metrô da Stephansplatz, tem-se uma vista de toda a capela (dica para quem vem a Viena!).

Virgilkapelle
Coral no interior da Virgilkapelle.
4. Stephansdom
Símbolo de Viena, a Stephansdom data do ano 1147, em estilo românico, gótico e barroco. Foi severamente danificada no final da II Guerra Mundial por um incêndio e reconstruída em apenas 7 anos.A catedral estava com uma iluminação especial, multicolorida, em uma perfeita harmonia com os solistas, o Coral Mozart dos Meninos de Viena (Mozart Knabenchor Wien), o Coro da Catedral de Santo Estêvao (Domchor St. Stephan) e a Oquestra da Catedral (Domorchester). Sem dúvida, um espetáculo da melhor qualidade (o que mais esperar de Viena?).

Stephansdom

 

Interior da Stephansdom.

 

5. Karlskirche
Terminei a noite na Karslkirche, igreja barroca de São Carlos Borromeu fundada em 1713 pelo imperador Carlos VI, onde resolvi dar uma parada, já a caminho de casa, para sentar e descansar um pouco. Naquela hora, a programação era perfeita: um misto de silêncio, música suave, pequenos trechos de leitura da Bíblia, tudo envolvido por uma luz suave com o brilho de centenas de velinhas.
Karlskirche
Interior da Karlskirche.
A grande atração da igreja era o elevador panorâmico, que permitia ver de perto os afrescos da cúpula. Infelizmente, eu precisaria ter pego uma senha antes, pois o acesso era controlado. Sem problemas, valeu pelo momento de contemplação e paz.Obrigada, Luciano, por partilhar conosco esta noite musical em Viena!

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