Colônia

Colônia, ou Köln em alemão, entrou no roteiro de minha primeira viagem à Europa como um conveniente pit stop entre Amsterdam e Munique. Afinal, a ideia era desfrutarmos a experiência de viajar de trem pela Europa, e, não, nos auto-flagelarmos em intermináveis percursos. No final, a cidade acabou se mostrando um interessante contraponto à Alemanha revelada por Munique.

Catedral de Colônia


Com um milhão de habitantes, Colônia é a quarta maior cidade da Alemanha. Suas origens remontam a um assentamento romano, o que significa cerca de 2 mil anos de história! Você pode identificar as raízes romanas de Köln de várias formas, a começar pelo próprio nome da cidade que deriva de Colonia Claudia Ara Agrippinensium.

Este relato é baseado nas notas de viagem, realizada em maio de 2006.


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1° DiaAo chegarmos na Köln Hauptbahnhof (a estação central), seguimos direto para o hotel para nos liberarmos das sempre inconvenientes malas. Começamos a descobrir Colônia pelo Museum Ludwig, que abriga, basicamente, arte do século XX. Seu acervo, muito bom, inclui Picasso, Dali e Andy Warhol, mas tivemos sorte em ver uma ótima exposição temporária de Salvador Dali.

Catedral de Colônia

A próxima atração tinha de ser o highlight de Köln, por excelência, o famoso Kölner Dom. É difícil não perceber a imensa estrutura, próxima à estação central. Parênteses: eu sou particularmente fascinada por catedrais. E, já, já, explico o porquê.

Interior da catedral de Colônia.

Vocês já imaginaram quanto esforço demandava, à luz da tecnologia disponível na Baixa Idade Média, levantar um gigante como este? O desafio não era apenas de engenharia, mas, também, de logística. O trabalho de construção demandava o deslocamento de centenas de homens, especialistas em diversas áreas, carpinteiros, pedreiros, escultores… Estes trabalhadores precisavam comer, vestir-se e morar, bem como suas famílias, no local da construção por anos. E, muitas vezes, a obra levava, não apenas décadas, mas séculos para ser concluída. Isso porque o orçamento da empreitada, equivalente a respeitáveis fatias do PIB da época, requeria muitos sacrifícios por parte da comunidade que a financiava. E não podemos esquecer que, neste meio tempo, ocorriam guerras, epidemias, fome… E, mesmo famintos e desesperados, eles erguiam estes imensos monumentos. Em tempos atuais, não temos paralelo para uma obra desta magnitude. E elas não eram casos isolados, mas, pipocaram, ao longo de séculos, por toda a Europa. Um ótimo livro para um insight sobre o tema é “Os Pilares da Terra”, de Ken Follett.

Vitral do Kölner Dom.

Voltemos, então, ao Kölner Dom: as obras desta imponente catedral gótica começaram em 1248. Nesta época, Colônia já havia se tornado um centro de peregrinação religiosa, graças às relíquias dos Três Reis Magos (em alemão, Heilige Drei Könige). Num incessante para-e-recomeça, a construção só foi terminada em 1880. Notem que estamos falando de mais de seis séculos! Com 144m de comprimento e torres de 157m, foi o prédio mais alto do mundo entre 1880 e 1884, quando perdeu o posto para o Monumento a Washington. Com apenas 2,50 euros e muito fôlego, você pode subir os mais de 500 (quinhentos!) degraus da torre. Eu já mencionei que ser turista envolve sacrifícios? =)

Arca que conteria as relíquias dos Reis Magos.

Após a visita à catedral, mais do que merecíamos o filé acompanhado de batata assada que comemos no Farmer’s. A digestão foi feita em uma caminhada pelas margens do Reno. Depois de comportamento turístico tão exemplar, aproveitamos o resto do dia simplesmente flanando pelas ruas cidade. Quer coisa melhor?

Kölner Altstadt

2° Dia

Após o café-da-manhã, fomos conferir o Römisch-Germanisches Museum (Museu Romano-Germânico), para entender melhor o papel desta herança romana na identidade da cidade. Na verdade, o museu foi construído em torno de seu maior tesouro, o Mosaico de Dionisio. Remanescente de uma villa do século III e (re)descoberto em 1941, o mosaico podia sofrer danos durante o seu transporte. Então, “se Maomé não vai à montanha“… Bom, acho que vocês captaram o espírito da coisa.

Museu Romano-Germânico.
Detalhe do Mosaico de Dionisio.

E, como este museu fica pertinho da catedral, voltamos ao Dom para nos despedirmos adequadamente. Depois de outro curto passeio pela cidade, estávamos prontos para o próximo destino: Munique.

Torre remanescente de antigo muro romano.

Mais detalhes
http://pt.wikipedia.org/wiki/Colônia_(Alemanha)

Como chegamos
De trem (ICE).

Onde ficamos
Uma noite no Drei Könige Am Dom. Muito bem localizado, não espere luxo, mas o hotel oferece um bom café-da-manhã.

O que compramos
Era quase inevitável, trouxemos na bagagem uma miniatura do Dom

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