Amsterdam

Quando cheguei em Londres e, também, em Paris, imagens das duas cidades já estavam marcadas a ferro e fogo, desde sempre, na minha cabeça. Afinal, o Big Ben e a Torre Eiffel  aparecem na mídia tanto quanto uma top model, e há muito mais tempo. Amsterdam, entretanto, ainda estava envolta em mistério quando lá desembarquei do trem proveniente de Paris.Ao ser recepcionada por um dia de sol e calor, uma mente vazia de expectativas visuais (apesar de todas as pesquisas e leituras prévias) era tudo o que eu podia querer. Naquela primeira tarde em Amsterdam, meus olhos rapidamente povoaram a minha memória com uma cidade cheia de deliciosas casinhas inclinadas sobre os canais, gente feliz aproveitando um happy hour em mesinhas sobre as calçadas, barcos e muita luz. E, desde então, é assim que penso na cidade, mesmo depois de uma segunda visita, sob condições climáticas muito menos favoráveis: não havia qualquer sinal de sol, era inverno, chovia, ventava, e as temperaturas estavam perigosamente próximas de zero.
Tamancos holandeses
Este post também se baseia no “Diário de Bordo” mantido durante a viagem, feita em maio de 2006.

Visualizar Roteiro em Amsterdam em um mapa maior

 Ao descermos do trem, rumamos para o Centro de Informações, localizado logo em frente à estação Central. Lá, compramos nossos I amsterdam cards e descobrimos que um bonde nos deixaria próximo ao hotel. Anote aí: o I amsterdam card é uma ótima pedida, pois, com ele em mãos, você garante acesso gratuito a vários museus, incluindo o Van Gogh Museum, pode usar e abusar dos transportes públicos e, ainda, fazer um passeio de barco pelos canais. Os passes estão disponíveis para períodos de 24, 48 e 72 horas e podem ser adquiridos pela internet, ou nos centros de informações turísticas.

Amsterdam vista de um barco.
1° Dia

Depois de deixarmos as bagagens no hotel, aproveitamos a tarde de sol que se iniciava para caminharmos sem rumo pelas ruas de Amsterdam. Existe forma melhor de se descobrir uma cidade? Sem compromissos turísticos (postergamos as visitas obrigatórias para a manhã seguinte), resolvemos fazer o passeio de barco, incluído no I amsterdam. A cidade, vista da perspectiva de seus canais, ficou ainda mais charmosa sob a luz do fim da tarde. Entendeu, agora, porque minhas lembranças de Amsterdam são tão ensolaradas? =)

Mais casinhas do século XVII.

 

Desembarcamos e seguimos na “dura vida” de caminhar sem pressa, admirando as casinhas holandesas, fotografando tudo, entrando em inúmeras lojinhas e observando os turistas e os nativos, que se misturavam frenéticos em celebrar a primavera que, finalmente, dava as caras. Parênteses: só depois de morar na Áustria e vivenciar o inverno, é que fui compreender melhor a euforia que se apossa de todos quando o sol reaparece, após longos e tenebrosos meses. Sim, eu agora faço parte desta seita de fanáticos, os adoradores do sol! =)

Detalhe da fachada: olhem por onde os locais içam os móveis,
que precisam entrar pela janela…

 

Para um dia perfeito como este, só havia um final possível (e igualmente perfeito): piquenique no hotel com coisinhas deliciosas compradas no mais bonito dos mercadinhos. Ainda lembro como eram maravilhosos, doces e perfumados os morangos que comemos! Eu não tinha entrado em um único museu, visto uma única pintura e já estava irremediavelmente seduzida por Amsterdam.

Amsterdam
As indefectíveis bicicletas de Amsterdam…
2° Dia

Como as férias das férias tinham chegado ao fim, era hora de voltar ao batente. Após o café-da-manhã, tomamos o rumo do Rijksmuseum. Este lugar, de nome aparentemente complicado, é o museu nacional da Holanda (na verdade, Países Baixos). Seu excelente acervo inclui, é claro, Vermeer e Rembrandt. Para nós, um dos pontos altos da visita foi o quadro “View of Olinda“, do pintor Frans Post. Achei interessantíssimo ver retratada a Olinda da época das Invasões Holandesas. Se uma imagem vale mil palavras, esta pintura vale por uma aula de História.

View of Olinda de Frans Post.

Seguimos dali direto para o imperdível Van Gogh Museum. Este museu foi formado a partir da coleção do irmão do artista, Theo, que era negociante de arte. O papel de Theo na vida de Vincent foi marcante. Embora quatro anos mais novo, Theo sustentou o irmão até a sua morte, aos 37 anos, morrendo ele próprio, pouco depois, aos 33 anos de complicações relacionadas à sífilis. Com um fabuloso acervo, composto por mais de 200 pinturas, 500 desenhos e centenas de cartas trocadas pelos dois irmãos, este museu talvez seja a atração mais badalada de Amsterdam. As pinturas estão organizadas cronologicamente e proporcionam um insight sobre como se deu a evolução do trabalho de van Gogh. Eu não perderia esta visita de jeito nenhum!

Museum Amstelkring

 

Com a mente repleta com as coloridas pinceladas de van Gogh, partimos para o Museum Amstelkring. Nas proximidades do Red Light District, uma fachada “holandesa com certeza” esconde uma igreja católica secreta do século XVII. A história deste lugar é incrível! Depois que os calvinistas assumiram o poder, tornaram-se proibidas as manifestações públicas da fé católica. Entretanto, os holandeses, tolerantes desde então, faziam “vista grossa” às igrejas secretas mantidas no interior de insuspeitas casinhas à beira dos canais. Vale, ou não, uma visita?

Interior do Amstelkring.

Para finalizar, visitamos a tocante Anne Frank Huis, a casa-museu de Anne Frank. A história desta menina comoveu o mundo quando seu diário foi publicado em 1947. Refugiada entre seus livros e escritos, Anne lidava com um cotidiano quase surreal: oito pessoas escondidas por cerca de dois anos em um sótão. Em total silêncio e sem poder abrir as janelas, as duas famílias permaneceram no esconderijo até serem entregues à Gestapo em agosto de 1944. Exceto pelo pai de Anne, Otto Frank, todos os moradores do sótão pereceram antes do fim da guerra. Este museu não está incluído no I amsterdam, então, se quiser evitar a fila, compre on line.

 

Homenagem à Anne Frank.

Terminaríamos o dia com mais uma longa caminhada pelas ruas de Amsterdam. Definitivamente, esta é uma cidade para ser desfrutada a pé! Perder-se em suas ruas, seguir o contorno de seus canais, atravessar suas pontezinhas… Entretanto, se me perguntassem qual foi o ponto alto da minha estada em Amsterdam, eu responderia sem pestanejar: o passeio de barco pelos canais! De dentro do barco, ao ver suas casas e suas pontes sob uma luz perfeita de fim-de-tarde, eu atestei o velho clichê: Amsterdam é, sim, a Veneza do norte!

Anoitecer em Amsterdam.

No dia seguinte, tomaríamos o trem para Colônia.

Tulipas e mais tulipas…
Mais detalhes
Como chegamos

De trem (Thalys).

Onde ficamos

Duas noites no Hotel D’Amsterdam. É um hotel simples, limpo e com um café-da-manhã bastante razoável. Tem uma boa localização próximo ao Leidseplein, uma região com muitos cafés e restaurantes.

O que compramos

Opções de souvenirs não faltam: tamancos holandeses, tulipas e moinhos de vento, nas mais variadas formas, tamanhos e com várias, ou nenhuma, utilidade. E quem disse que souvenir tem que ser útil?

5 comentários

  • Eu estive em Amsterdã ano passado ! e posso dizer a cidade e apaixonante ! parabéns pelo post !

  • Olá, Jaime!
    Obrigada pela visita! Espero que tenha gostado do nosso blog!
    Sobre as passagens: na verdade, eu não comprei uma "passagem". Eu usei um passe de trem, adquirido via uma agência de São Paulo.
    Uma alternativa é comprar as passagens assim que você chegar à Europa.
    Um blog bacana para dicas da Holanda é o http://www.ducsamsterdam.net/. Confira um de seus posts sobre uma viagem de trem: http://www.ducsamsterdam.net/tag/trem-de-amsterdam-a-berlin/
    Espero ter ajudado!
    Beijão

  • Fabiola, tudo bem? Onde comprou a passagem de trem? tentei comprar pelo site e não aceitaram meu cartão.
    abs
    Jaime

  • Olá, Tatiane!
    Obrigada pela visita! Em Amsterdam, as distâncias entre os pontos turísticos não são grandes, então é possível fazer muita coisa a pé. Também existem bondes (trams) que podem ser úteis, dependendo da localização do seu hotel.
    Entretanto, é preciso considerar você pretende fazer a viagem no *inverno*. Você deve estar preparada para alguns incovenientes: os dias são mais curtos (anoitece por volta das 16h), os dias estão permanentemente nublados e o frio pode fazer com que você não queira ficar muito tempo ao ar livre. Inclua passeios em museus e lugares fechados para escapar do frio. Algumas atrações podem ter horários diferentes de funcionamento no inverno.
    Sobre o passeio de barco: eu curti muito a experiência! Mas eu fui na *primavera* e o dia estava fantástico. Na minha segunda visita (em janeiro), o dia estava tão feio e frio que duvido que quisesse repetir o programa. Novamente, atente para os horários de funcionamento. Para mais detalhes: http://www.iamsterdam.com/en/visiting/things-to-do/canalcruises.
    Um blog muito bacana sobre Amsterdam é o http://www.ducsamsterdam.net.
    Beijos

  • Olá!!
    Vou passar dois dias em Amsterdam em janeiro e queria saber se é tranquilo mesmo fazer tudo isso a pé.
    Como é inverno, o dia vai "acabar" mais cedo, você acha que seria legal fazer o passeio de barco no fim do dia, mesmo assim??
    obrigada

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *