Paris

Esta cidade habita o inconsciente coletivo. É cenário de livros e filmes. É tema de canções. Quase todo mundo já sonhou em visitá-la um dia. Milhares de pessoas fazem isto todos os anos… Pela primeira, segunda, enésima vez! E, mesmo com toda a expectativa envolvida, ela permanece sucesso de público e de crítica. No Eurostar que me aproximava mais deste mito, eu me perguntava se não me desapontaria. Afinal, que cidade real pode competir com um sonho? Tentando manter as coisas em perspectiva, eu aguardava ansiosamente para conhecê-la…

 


Visualizar Roteiro em Paris em um mapa maior

Confesso que meus primeiros momentos em Paris não foram tão agradáveis. Depois de desembarcar do trem na Gare du Nord, tomamos um metrô até a estação Luxembourg. A impressão geral, em um sábado, não foi das melhores: as estações não estavam muito limpas e o clima parecia meio suspeito, mesmo durante o dia. Foi um pouco difícil para mim reconciliar o desconforto que eu estava sentindo naquela estação de metrô com a Cidade Luz que existia na minha cabeça. Emergi do metrô para um céu cinzento, afinal Paris est gris (Paris é cinza), e uma curta caminhada até o hotel no Quartier Latin.

Vista da Torre Eiffel.

Felizmente, os dias que se seguiram provaram que Paris está mais próxima do ideal do que meus primeiros minutos em uma escura estação de metrô poderiam anunciar. A exemplo do post sobre Londres, o relato desta viagem, em maio de 2006, foi feito a partir do “Diário de Bordo” da época.

1° Dia

Nosso primeiro (meio) dia em Paris foi dedicado ao reconhecimento. Deixamos as malas no hotel e partimos para explorar o Quartier Latin. É claro que a caminhada nos levou, inevitavelmente, ao Sena e, depois à Notre-Dame. Foi uma longa caminhada. E serviu para dissipar a impressão perturbadora da chegada. Ufa! Eu não desembarcado no filme errado… =)

Notre-Dame

2° Dia

Como o café-da-manhã não estava incluído na diária, la Brioche Dorée (site em francês, ok?) “venceu a concorrência” e nos prestou este indispensável serviço desde a primeira (e faminta) manhã. Depois de uma experiência bem-sucedida em Londres, resolvemos experimentar o Sightseeing Tour também em Paris. O eleito foi L´Open Tour, mas, para os interessados, Les Cars Rouges também oferecem este serviço. Embora tenhamos aproveitado bastante o passeio, achei a experiência mais compensadora em Londres. De qualquer forma, Paris é muito mais bacana quando feita a pé.

Musée du Louvre

Desistimos de visitar o Museu D´Orsay, pois a fila prometia muitos preciosos minutos perdidos. Ao invés disso, preferimos tomar o rumo da Champs Elysées. A visão das avenidas se cruzando no Arc de Triomphe, formando a famosa Place de l´Etoile francesa impressiona, mesmo que você já tenha visto esta imagem muitas vezes. O Arco é belíssimo, sua estrutura imponente traduz com perfeição a ideia de uma França poderosa e conquistadora, triunfal

Arc de Triomphe

Idealizado por Napoleão em 1806, após sua vitória, em Austerlitz, sobre a coalisão formada pelos britânicos, russos e austríacos, o Arco só pôde ser concluído em 1836. Entre os motivos para o atraso estava, claro, a queda de Napoleão. O cortejo que levou seu corpo para seu segundo (e final) local de sepultamento em Les Invalides (site em francês) passou sob o Arco em 1840. A vista de Paris a partir da plataforma panôramica no topo do Arco é inigualável: de um lado, a Champs Elysées e, do outro, La Defense. Pena que o dia estivesse um pouco nublado!

Place de la Concorde

Depois de uma longa caminhada pela Champs Elysées até a Place de la Concorde, seguimos para a atração mais famosa de Paris e um dos ícones do turismo mundial: a Torre Eiffel. Como o mundo não existe mais sem Paris, e Paris não pode mais prescindir de sua Torre Eiffel, todos os filmes do “cinema-catástrofe” acham por bem implodi-la. Pode ser uma invasão alienígena, um meteoro, terremotos ou, mesmo, um dilúvio. Esqueça os Cavaleiros do Apocalipse, qualquer que seja o roteiro escolhido, uma coisa é certa: se a Torre Eiffel cair, é prenúncio do fim do mundo… E pensar que ela foi construída para posar temporariamente de grande dama parisiense durante a Exposição Mundial de 1889. É claro que, em pouco tempo, todos estavam apaixonados por ela.

Tour Eiffel

Ao olhá-la, majestosa e centenária, incrivelmente delicada em suas mais de 10.000 toneladas (!), a sensação de “déjà vu” é inevitável. Não poderia ser diferente com uma das estruturas mais fotografadas do mundo. A melhor vista da Torre é a partir do Trocadero, e não se esqueça de levar baterias extras, pois você vai perder a conta do número de fotos tiradas. Eu, pelo menos, me excedi… =)

Mais uma vez, nos deixamos impressionar pelo tamanho da fila e abandonamos a ideia de subir na Torre Eiffel naquele momento. Achamos melhor partir em direção a uma outra atração: o Louvre. É claro que, neste dia reservado para as “externas”, nos concentramos nos entornos do museu e no Jardin de Tuileries.

Jardin de Tuileries

Retornamos ao Quartier Latin pela Pont des Arts (mais um must-see parisiense!), jantamos nos arredores do Boulevard Saint-Germain e voltamos felizes para o hotel. Paris era tudo o que eu havia imaginado… E muito mais!

Pont des Arts

3° Dia

Lembram-se da minha máxima que os grandes museus são melhor degustados pela manhã? Com o Louvre, não poderia ser diferente. Então, após o café-da-manhã, rumamos para o Musée du Louvre. Antes mesmo de cruzar suas portas, eu já sabia que o meu compromisso com o museu era coisa para muitas horas. A associação imediata que se faz com o Louvre é a Mona Lisa e a Venus de Milo, mas este museu espetacular é muito mais do que isto. A começar pela belíssima Vitória Alada (Vitória de Samotrácia) que recepciona os visitantes, do alto de suas escadarias. Fazem parte do acervo, uma enorme coleção de artefatos egípcios, gregos, romanos, islâmicos, esculturas, artes decorativas e pinturas. Ah, as pinturas… O forte, aqui, são pintores italianos e franceses, mas também os espanhóis e holandeses encontram o seu espaço: Da Vinci, Caravaggio, Botticelli, Delacroix, Fragonart, Vermeer, Rembrandt, … Como eu disse, bom o bastante para manter alguém ocupado por semanas.

Venus de Milo
Vitória de Samotrácia

Fizemos uma pausa para restaurar as forças no café do museu e seguimos para mais um turno de visitas. É, vida de turista envolve sacrifício… =) Sede, fome, dores nas pernas, ou bolhas nos pés, nada pode nos abater, afinal, Paris está acima de dos desconfortos mundanos! Saímos do Louvre para aproveitar o segundo dia do passe do hop on / hop off. Depois de tanto andar, parecia perfeitamente razoável descobrir as belezas da cidade sentados no alto de um double decker bus.

Sacré-Coeur

Algum tempo depois, pudemos confiar o bastante em nossas pernas para descer do ônibus e entrar na igreja de Saint-Sulpice. É, quem pensou no Código Da Vinci acertou…

Após um jantar no Quartier Latin, rumamos direto para o hotel.

4° Dia

Depois do, já tradicional, café au lait com croissant, seguimos em direção ao Musée D´Orsay. Esta antiga estação de trem (a Gare D´Orsay), convertida em museu em 1986, abriga uma fabulosa coleção. São pinturas, esculturas, gravuras, fotografias e objetos de decoração. Impressionistas e pós-impressionistas são o forte deste museu, como pode atestar qualquer admirador de Monet, ou Renoir. Os apreciadores de Van Gogh também não devem ficar desapontados. Tornou-se, imediatamente, um dos meus locais favoritos em Paris.

Musée D´Orsay
Musée D´Orsay
La Chambre à Arles de Van Gogh.

Infelizmente, um dia chuvoso nos aguardava na saída do museu. Após o almoço, munidos de guarda-chuvas e de muita disposição, fomos caminhar em um dos pontos mais charmosos da cidade, um par de ilhotas no Sena: a Île de la Cité e a Île de St-Louis. Local de nascimento de Paris, a Île de la Cité é o centro geométrico do país, pois todas as distâncias na França são medidas a partir de um marco (o Point Zéro), que fica ao lado da Notre-Dame. Além desta magnifica catedral gótica iniciada em 1163 (!), uma outra igreja da ilha merece uma visita, a Sainte-Chapelle. O melhor horário para ver a Sainte-Chapelle é no final da tarde, quando o sol ressalta o colorido dos vitrais. Azar o nosso que, neste dia, estivesse chovendo… =(

Na Île Saint-Louis, você vai encontrar o mais famoso sorvete de Paris. A Berthillon (site em francês), uma maison glacier fundada em 1954, é afamada por oferecer um dos sorvetes mais deliciosos do mundo. Que tarefa dura deve ser esta, de provar sorvetes no mundo inteiro para comprovar uma tese tão polêmica… =)

Derrotados pela chuva, jantamos baguetes no quarto do hotel, rezando para que o dia seguinte não fosse tão molhado…

5° Dia

Uma curta caminhada a partir do hotel nos levou ao primeiro compromisso da manhã, o Panthéon. Originalmente desenhado para ser uma igreja dedicada à Sainte-Geneviève, o prédio foi transformado em local do repouso final das grandes personalidades francesas. Belos afrescos, contando a história da padroeira de Paris, remetem ao passado religioso da construção. Sua inspiração foi o Panteão romano, mas a estrutura, especialmente sua cúpula, guarda semelhanças com a Catedral de St Paul, em Londres. Ali estão enterrados, entre tantos franceses notáveis, Voltaire, Victor Hugo, Alexandre Dumas e o casal Curie. Outro bom motivo para se visitar o Panthéon é o Pêndulo de Foucault.

Panthéon
Pêndulo de Foucault.

Dali, seguimos para o Centre Georges Pompidou. A construção, que lembra uma instalação industrial, com suas tubulações aparentes, abriga o Musée National d´Art Moderne e um centro cultural. Inspirada no balé O Pássaro de Fogo, a colorida Fontaine Stravinsky dá as boas vindas aos visitantes. Do topo do Centre Pompidou, tem-se mais uma oportunidade de admirar Paris.

Fontaine Stravinsky

Almoçamos um crepe nas proximidades do Pompidou e caminhamos de volta até a Notre-Dame. Afinal, não podíamos deixar a cidade antes de subir em suas torres e conhecer pessoalmente as suas famosas gárgulas. É claro que tudo tem seu preço, e uma visita à Galerie des Chimères (Galeria das Gárgulas) envolvia subir 387 (!) degraus. As assustadoras (?) guardiãs da catedral e a vista espetacular do Sena mais do que compensaram o esforço.

Gárgula de Notre-Dame.

A subida na torre sugeriu um novo ângulo da cidade que merecia ser explorado: o Sena. Tomamos o Batobus nas proximidades da Notre-Dame e seguimos em direção à Torre Eiffel. Funcionando no estilo de um hop on / hop off aquático, pode-se descer, e tornar a subir, no barco em qualquer uma de suas oito paradas. Existem passes de 1, 2 e 5 dias. Definitivamente uma ótima pedida!

Pont Alexandre III

Do alto da Torre Eiffel, nos despedimos de uma Paris colorida pela luz do fim de tarde. Com certeza, esta não seria a nossa última visita!

Tour Eiffel

Na manhã seguinte, partiríamos para Amsterdam.

Mais detalhes
http://pt.wikipedia.org/wiki/Paris

Como chegamos
Trem Londres-Paris (Eurostar).

Onde ficamos
Cinco noites no Hotel de la Sorbonne. No coração Quartier Latin, o ponto forte do hotel é justamente a sua excelente localização. De resto, confesso que fiquei um pouco desapontada: os quartos eram pequenos e a limpeza deixava a desejar. Vi, no site do hotel, que ele passou por uma renovação.

O que compramos
É quase impossível sair de Paris sem levar na bagagem o supro-sumo dos objetos kitsch: uma miniatura da Torre Eiffel.

12 comentários

  • Ola , Parabens pelo blog !

    duvida = vc comprou a passagem de trem (Eurostar) de Londres para Paris, com antecedencia ou na hora ?
    sabe dizer se deixar pra comprar na hora, corre-se o risco de estarem esgotadas ?

    Obs = postarei como anonimo pois naõ consigo logar nas outras alternativas rsrs

    Obrigada, Abs, Att. Viviansts@terra.com.br

  • Estive lá apenas uma vez, em setembro de 2010, mas fiquei apaixonaaaaaaaada!!!

  • Conta como foi pra comprar o passe para os museus e atracoes? Vc fez pela internet ?
    Tranquilo pra pagar ?
    Super valeu !!!

  • Victor e Alessa,

    Obrigada pelo feedback! É muito bacana saber que nossas dicas foram úteis! 😉
    Voltem outras vezes ao nosso blog!

    Beijos

  • Victor e Alessa

    Oi Fabiola,

    Eu e minha esposa voltamos de Paris essa semana e seguimos muitas de suas dicas. Obrigada!
    Deixamos também nossa contribuição para o blog. Quem estiver afim de fazer um passeio diferente e aprender muito sobre Paris, aconselhamos: http://www.aproveiteparis.com Muito bom!

    Beijos

    Victor e Alê

  • Oi, Luciana!

    Pessoalmente, eu não aconselho a Europa no inverno. Anoitece cedo (entre 4 e 5 horas da tarde). As temperaturas abaixo de zero limitam muito a permanência outdoors… É cansativo e gelado. Por outro lado, o final-do-ano proporciona experiências incríveis em terras germânicas, quando se trata de Natal. É muito bacana ver como (e quanto!) eles celebram esta data por aqui! E a neve é sempre uma novidade para nós dos trópicos, né?
    O Riq tem um post-enquete sobre o assunto no site dele: http://www.viajenaviagem.com/2007/09/enquete-da-semana-europa-no-inverno/
    Dá uma conferida! Boa viagem!

  • Vagamundos e Jéssica,

    Obrigada pela visita! Que bom que vocês estão gostando da nossa blogagem "a quatro mãos". Voltem sempre! E, sim, Paris é inesgotável, em verso, prosa e blogs de viagem! =)

  • Oi Luciana,

    Nunca viajei para a Europa nesta época e tenho os mesmos receios que você. O último inverno foi bem rigoroso e acabou dificultando um pouco as coisas. Estradas fechadas, trens com problemas, etc. Acho que não fica muito fácil de fazer passeios ao ar livre. Se você gosta de museus, talvez não atrapalhe muito. Programa passeios em lugares fechados. A Suiça é uma ótima opção por causa das estações de esqui. Em Roma eu acredito que o frio não seja um grande problema. Depende também de quanto você está acostumada com o frio e do uso de roupas adequadas.

    Bj

  • Vagamundos e Jéssica,

    Obrigada pela visita e pelos elogios!

  • Olá Carol,
    adorei o blog… realmente é muito útil pra quem não sabe por onde começar…
    Estou pretendendo visitar Paris, Roma, Veneza e interlaken (Suiça) em dezembro. Vc acha que vale à pena? Tenho medo, pois escurece muito cedo e o frio, será q pode atrapalhar?
    Obrigada

  • Olá, vcs acabaram de ganhar mais uma leitora fiel, já votei no topblog e espero que vcs vençam! Já viajei pra alguns países: França[2X], Inglaterra[2X], Suiça, Bélgica e Luxemburgo. Gostei muito desse guia sobre Paris e sobre Londres e fiquei feliz de ver que já visitei praticamente todos os pontos turisticos que vcs deram dicas e fiquei curiosa sobre subir na Notre Dame[não sabia que podia subir!!!] Parabéns pelo Blog!

  • Gostamos muito de ler este vosso relato de viagem a Paria, uma cidade que tem mesmo muito para oferecer.
    Bjs

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *