Istambul

Se as cidades fossem pessoas, Istambul já teria vivido muitas vidas… Tendo sido fundada em cerca de 660 a.C., ela já foi chamada Bizâncio, Nova Roma, Constantinopla. Já foi romana, bizantina e otomana. Foi sede da cristandade, e tornou-se símbolo do mundo islâmico.Seus encantos, porém, vão além da fascinante e conturbada História. A cidade seduz por sua beleza exótica esparramada pelos dois lados do Bósforo, atordoa pelas ruas repletas de gente, cheiros e sons. Para nós ocidentais, é um Oriente “light”. E, a julgar pela quantidade de turistas islâmicos que vimos, é também uma porta para o Ocidente para os que moram do outro lado… O velho clichê de que Istambul é uma ponte entre o Oriente e o Ocidente continua verdadeiro.

Visualizar Roteiro em Istambul em um mapa maior

 

Fomos no final de abril e reservamos três dias inteiros para a cidade (chegamos na quinta-feira à noite e partimos na segunda pela manhã), mas eu adoraria dispor de mais tempo… Preferimos ficar em um hotel localizado em Sultanahmet, que é o centro antigo da cidade. Foi uma excelente escolha, pois pudemos fazer a pé os principais pontos turísticos e desfrutar melhor da região que é bonita, limpa e segura.

Mesquita Azul

Eis o que conseguimos experimentar nestes dias:

1° Dia:

É claro que tínhamos de começar pela Santa Sofia (Ayasofya) e pela Mesquita Azul! E como uma está em frente à outra, fica até difícil decidir para que lado olhar primeiro… Seguindo a recomendação de evitar os horários das orações, entramos logo na Mesquita Azul. Estava cheia de turistas (aliás, fiquei bastante impressionada com a quantidade de turistas em Istambul!). Para entrar, precisamos tirar os sapatos, mas eu não precisei cobrir a cabeça. E, apesar da multidão, ficamos um bom tempo apreciando o teto e o clima do lugar.

Interior da Mesquita Azul.

Saindo da mesquita atravessamos a praça em direção à próxima parada: a Ayasofya (20 novas liras turcas, cada). A construção, que nasceu como uma igreja cristã entre 532 e 537, foi convertida em mesquita em 1453 pelo sultão Mehmet II, o Conquistador, atualmente abriga um museu. Minha sugestão aos viajantes, gastem algum tempo admirando os belos mosaicos que só sobreviveram até hoje, pois foram inadvertidamente preservados pela “cobertura” feita pelos otomanos. Também achamos muitíssimo interessante a presença dos símbolos islâmicos lado a lado com referências cristãs.

Ayasofya (ou “Holy Wisdom“).

Imagens cristãs e islâmicas lado a lado na Ayasofya:

Saímos dali em direção ao Palácio Topkapi (20 novas liras turcas, cada). Já vou avisando que se trata de um complexo com vários prédios e que há muita coisa para ver. O palácio foi construído pelo sultão Mehmet II (o tal Conquistador, com “C” maiúsculo!) entre 1459 e 1465 e serviu como residência para gerações de sultões ao longo de 400 anos.

Entrada do Palácio Topkapi.

Por conta de sua história fascinante, decidimos começar pelo Harém (pago à parte: 20 novas liras turcas por pessoa). Ao contrário do que se pode pensar, Haréns não eram antros de orgia permanente, mas desempenharam um papel importantíssimo na política do Império Otomano. Funcionando sob um hierarquia rigída, o objetivo principal do Harém era garantir um herdeiro ao trono. A figura principal no Harém era a Sultana Validé, a mãe do sultão, depois vinham as esposas, ou kadins, seguidas das concubinas. As meninas, que chegavam ao palácio com idades entre 5 e 12 anos e deviam ser belas e inteligentes (afinal, para o sultão, só o melhor, né?), eram recrutadas em todo o Império Otomano. Com o tempo, elas eram, hã, “introduzidas” ao sultão e, se lhe dessem filhos, ganhavam um novo status, que era particularmente elevado se o rebento fosse do sexo masculino. Houve época em que o Harém do Topkaki chegou a abrigar centenas de concubinas, mas o número de ocupantes era bem maior, pois incluía as crianças da realeza, os eunucos e a criadagem.

Depois do Harém, visitamos vários dos anexos do palácio. Algumas das salas dão acesso a pátios com vista para o Bósforo e o visual é de tirar o fôlego. Estava tudo bem cheio, em parte, talvez, porque 23 de abril é feriado nacional na Turquia.

Bósforo visto do Palácio Topkapi.

Jantamos em um restaurante da Ibni Kemal Caddesi (Salute Pub & Restaurant), onde comemos um delicioso kebap com tomates e bebemos cerveja turca.

Kebap no prato com pão sírio e tomates.

Terminamos o dia em frente à Mesquita Azul, onde além de se curtir a visão da mesquita iluminada, ainda se pode ver um show de luzes no chafariz da praça (lindo!). E voltamos para o hotel exaustos!

2° Dia:

Atravessamos o Golden Horn pela ponte Galata até a Torre Galata. Como chegamos cedo, não tivemos de enfrentar fila para subir no elevador (10 novas liras turcas, cada). Parênteses: quando conhecemos um lugar novo, procuramos uma torre, igreja, ou ponto elevado da cidade para uma “panorâmica”. A Torre Galata não desapontou. Dali, pudemos conferir que Istambul está mesmo repleta de minaretes, que são as torres das mesquitas, de onde o almuaden faz as chamadas para as 5 (cinco!) preces diárias (e você pensava que era moleza ser muçulmano e ter quatro esposas e tal…).

Torre Galata vista do lado oposto do Golden Horn.

Descemos e fomos bater perna na rua de pedestres (onde passam trams!) . Entramos em uma igreja de Santo Antonio de Padua. Foi interessante ver um grupo de muçulmanas turistando em uma igreja católica, o exato oposto do que havíamos feito na véspera…Como eu havia lido sobre uma tal rua Francesa e estava curiosa, arrastei meu pobre marido em círculos pelo Beyoglu até encontrá-la. Atenção navegantes: a rua Francesa (Fransiz Sokagi) em Istambul é, na verdade, um bequinho muito chamoso com escadarias, cujo acesso se dá pela Hayriye Caddesi (em cima), ou pela Bostanbasi Caddesi (embaixo) e tem cerca de 30 prédios. Uma placa no início da escadaria explica que é uma homenagem à presença dos franceses em Istambul.

Novos parênteses: muitas lojas do bairro de Beyoglu, como os primeiros cafés e cinemas, foram fundados por franceses no século XIX, o que influenciou a arquitetura e os hábitos culturais daquela região. Depois do sufoco e da longa caminhada, achávamos que merecíamos mesmo a cerveja que tomamos no Café Miró. Na caminhada de volta ao pé da torre, paramos para nos “refrescar” com um chá turco e conferimos o tamanho da fila da qual escapamos!

Rua Francesa em Beyoglu.

Queríamos fazer o tal cruzeiro pelo Bósforo, mas a busca pela rua Francesa tinha consumido algum tempo. Quando voltamos para o Eminönü passava das duas e, por isso, achávamos que não seria mais possível (o guia mencionava 3 horários: às 10:35, às 12:00 e às 13:35). Entretanto, descobrimos que um ferry (10 novas liras turcas por pessoa) deixaria o porto dali a poucos minutos. Tomamos um sorvete, enquanto nos maravilhávamos com a nossa sorte! A vista da cidade pelo ângulo do Bósforo é compensadora, mas o passeio que tomamos era ida e volta, sem as tais paradas proporcionadas pelo ferry mencionado no guia, o que é um dos motivos pelos quais eu preciso voltar a Istambul: pegar um barco e descer em algumas de suas paragens…

Último compromisso do dia: compras! Atenção, pois agora vou dar mais uma dica: os bazares não abrem aos domingos. Algumas lojas nos entornos até podem abrir suas portas, mas os bazares com seus maravilhosos corredores coloridos, não! Então, assim que o barco atracou, corremos para Bazar de Especiarias, ou Bazar Egípcio. E, depois, seguimos para dar uma conferida no incrível Grand Baazar. Embora não seja minha especialidade este negócio de pechinchar, vou retransmitir o conselho que li em todos os lugares, de guias de viagens a blogs: negocie, negocie e negocie. Uma dica é começar oferecendo pelo menos a metade do preço original. Também pergunte o preço a mais de um comerciante. No fim das contas, você vai sair com a sensação de que, ainda assim, foi enganado…

Grand Baazar

Voltamos para a Ibni Kemal Caddesi, que ficava atrás do nosso hotel, e jantamos no terraço do Özler Restaurant. O cardápio naturalmente foi kebap (um com berinjelas e outro com tomates). O charme do lugar estava suas muitas almofadas e nos grupos de turistas com seus nargilés.

3° Dia:

Eu admito: a-d-o-r-o um museu! Sou apaixonada por História, então sempre procuro saber antes, se o museu da cidade vale uma visita. E eu sabia que o Museu Arqueológico (10 novas liras turcas, cada) tinha tudo para não me decepcionar… Assim, começamos nosso último dia: várias horas, conferindo o acervo do Museu Arqueológico, que é ótimo. Para abrir o apetite de vocês vou mencionar duas coisas: os antigos portões babilônicos de Ishtar (aqueles mesmos de Berlim!) e a tumba de Alexandre, que na verdade é a tumba do rei Abdalonymus, decorada com cenas da vitória de Alexandre sobre os persas. Adorei, também, as fotos que ilustravam a exposição. Muito bom gosto mesmo!

Detalhe do Túmulo de Alexandre no Museu Arqueológico.

Saímos do museu direto para a Cisterna Basílica (10 novas liras turcas por pessoa). Mais um lugar incrível da cidade! O sistema de iluminação cria um efeito ainda mais dramático. Cenário de filme mesmo! O highlight da Cisterna são as duas cabeças de Medusa que ninguém sabe muito bem como, ou por quê foram parar ali…

Cisterna Basílica

Ainda tentamos ir até a Mesquita Süleymaniye, mas infelizmente ela estava fechada para reformas. Meio mortos pela caminhada à toa, voltamos para o hotel para descansar.Nos despedimos da cidade assistindo ao pôr-do-sol no Bósforo. Fizemos mais umas comprinhas na rua dos fundos do hotel e jantamos … Kebap! E com tomates! No Salute Pub & Restaurant.

1001 noite em frente à Mesquita Azul.
Mais detalhes
Com 12,5 milhões de habitantes, Istambul é a maior cidade da Turquia, mas não é sua capital, pois perdeu o posto para Ancara em 1923.
A moeda é a nova lira turca e o Islamismo é a religião de 98% da população da Turquia.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Istambul
Como chegamos

Voo Viena-Istambul (Turkish Airlines)

Onde ficamos

Quatro noites no Raymond Hotel. Ótima localização no centro antigo de Sultanahmet, hotel novo, com uma decoração muito agradável e um bom café-da-manhã. Por conta dos horários dos voos (um tarde da noite e outro cedo, pela manhã), utilizamos também o serviço de transfer do hotel.

O que compramos

Minha sugestão de souvenir são as infinitas variações do “Olho Turco” (ou “Olho Grego”), que supostamente protege seu portador do mau-olhado. Com ou sem poderes mágicos, existem muitas bijous bonitas com o tal olho…

Outras Dicas

Se quiser experimentar um banho turco, ou Hamam, tente o Suleymaniye Hamam, que é recomendado no Tripadvisor.

13 comentários

  • Pingback: 10 posts que inspiram a viajar! - Na dúvida embarque

  • Muito Boa a dica.
    Eu fui a Rússia – São Peterburgo e adorei tanto que fiz um site de dicas também. abs e parabéns.

  • Olá, Daniela!
    Obrigada pela visita! 🙂
    Brasileiros não necessitam de visto para entrar na Turquia como turistas. Você vai precisar apenas apresentar seu passaporte (com validade mínima de 6 meses) e poderá permanecer na Turquia por até 180 dias.
    Abraços

  • Olá Fabíola,
    Suas dicas são excelentes…. quanto ao visto, como é feito?
    Desde já agradeço…

    Abç
    Daniela

  • Olá, Gardenia!
    Ficamos hospedados no Raymond Hotel. Fizemos a reserva pelo http://www.booking.com. Você pode usar o link http://www.booking.com/hotel/tr/raymond.pt.html?aid=311098;label=raymond-V0fenTH27yAkra5m3AKSLwS3444739577;ws=&gclid=CKTG15HK46ECFQUFZgodC1UCKQ para ver detalhes sobre hotel, avaliações de hóspedes e também fazer a reserva.
    Abraços

  • Olá,

    poderia me passar o contato do hotel em que ficou hospedada?

    obrigada!

    gardenniambonatto@gmail.com

  • Olá, Michelle!
    Obrigada pela visita! 😉
    Sobre a sua dúvida: visitamos apenas Istambul e nos comunicamos exclusivamente em inglês. Não sei quanto ao resto da Turquia, mas acredito que, no circuito turístico, todos falem (ou pelo menos arranhem) inglês.
    Em tempo, Istambul é maravilhosa! =)
    Boa viagem!
    Beijos

  • Oi Fabíola,

    Estou planejando uma viagem a Turquia. Como você conseguiu se comunicar lá? É possível comunicar-se em inglês ou espanhol?
    Obrigada! Adorei as dicas

  • Excelente report de Istambul, tambem estive lá em abril de 2011 mas choveu tanto e fez tanto frio que ia morrendo de pneumonia (sim levei roupa de verão em portugal estavam 35ºc) =) Adorei a expressão de Istambul ser orient light pois realmente foi mesmo isso que senti especialmente depois de já ter visitado algumas cidades orient hard, achei istambul tão pacata e europeia como a minha querida Lisboa, claro com um toque mais exótico. Aguardo uam visita pelo meu blog e boas viagens

  • Déia,
    Que bom que você gostou do post! =)
    Estivemos em Istambul em abril. Os dias estavam ensolarados, mas à noite a temperatura caía um pouco. Eu diria que as temperaturas devem ter oscilado entre 15 e 20°C e que havia uma brisa meio gelada, principalmente perto do Bósforo. Nada que um agasalho leve não resolvesse. Em março, provavelmente, vai estar um pouco mais frio. No site da BBC Weather, você pode conferir as médias históricas: http://www.bbc.co.uk/weather/world/city_guides/results.shtml?tt=TT004370.
    Posso adiantar que a cidade é linda e tem uma história fascinante. Com certeza, vocês vão curtir muito a viagem! É um destino que pertence a minha lista de "lugares aos quais preciso retornar"… =)
    Boa viagem!
    Beijos

  • Fabiola, adoramos a riqueza de detalhes. Obrigada, iluminou um pouco as nossas ideias. Vamos pra Istambul no fim de Marco, ficaremos por 5 dias. Voce so nao falou sobre o clima…como foi? estava muito frio?
    Obrigada e parabens pelo blog.

  • Oi Rafa,
    Este post é da Fabíola, a correspondente européia do blog. Ótimo né?
    Eu to planejando a próxima viagem. Ótima esta expectativa. Aguardo os posts no retorno. Bjo e boa viagem!

  • O site/blog tá cada vez melhor, hein, Carol? Eu tô aqui com frio na barriga, já. Embarco pro México em uma semaninha!
    Bjs, Rafa

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