Páscoa em Berlim

Com 3,4 milhões de habitantes, Berlim é uma grande capital européia que atrai tanto os viajantes em busca da “Europa Clássica”, quanto os descolados. Motivos para ir não faltam: os sensacionais museus, a agitada vida cultural e, claro, a História (com H maiúsculo!) da cidade.

Visualizar Roteiro em Berlim em um mapa maior


O século XX tem tudo a ver com Berlim, que testemunhou duas grandes guerras, o Holocausto, foi separada e reunificada. Para entender melhor tudo isso e desfrutar da cidade, aproveitamos o feriado da Páscoa (que aqui na Áustria é segunda-feira) para dar um pulinho lá.

Como tínhamos apenas três dias e a cidade oferece muita coisa, o roteiro foi intenso

Berlim
Portão de Brandenburg

1° Dia

Devido à posição do hotel (na Charlottenstraße), começamos com uma caminhada até o Gendarmenmarkt (segundo alguns entusiastas, uma das mais belas praças do mundo!) e fotografamos as Catedrais Alemã e Francesa e a Konzerthaus. Seguimos em direção à praça Bebelplatz, local da queima dos livros e onde estão a Igreja de Santa Hedwiges (católica), a Staatsoper (Ópera) e a Humbolt Universität – universidade onde estudaram Marx, Einstein e os irmãos Grimm. Depois, continuamos pela Unter den Linden, que significa “sob as tílias” (quem disse que não se pode ser poético em alemão?), até o Brandenburg Tor (muitas fotos!). Atravessamos o famoso portão até o Reichstag, prédio do Parlamento alemão com uma cúpula de vidro projetada pelo arquiteto britânico Sir Norman Foster, passando pelo tocante Memorial às Vítimas do Muro.

Gendarmenmarkt

Voltamos até o Portão de Brandenburg para encontrar o pessoal da New Berlin para um free tour (eles aceitam gorjetas) à pé por Berlim às 11h da manhã. O passeio durou cerca de 3h e meia, incluiu os principais pontos da cidade e uma descrição apaixonada dos eventos marcantes da história da cidade contados por… uma americana! Sim, foi muito legal e, sim, eu recomendo! E antes que eu me esqueça, ela fez por merecer a gorjeta.

Memorial aos judeus, inspirado no Cemitério Judeu
que há em Praga.

Depois do passeio, aproveitamos para caminhar mais um pouco pelas margens do Spree (o rio que corta Berlim), fotografar a Rotes Rathaus (Prefeitura), a Fernsehturm (Torre da TV) e a Fonte de Netuno. Por fim, entramos no Berliner Dom (a catedral de Berlim) . O ingresso de 5 euros dá direito a ver tudo, desde as catacumbas até a cúpula , de onde se tem uma linda vista da cidade. Por mais 1 euro, subimos em uma plataforma localizada em frente às obras do “novo” palácio – aparentemente, eles estão reconstruindo um palácio que havia no local e foi destruído pelo governo da Alemanha Oriental. Dali, pudemos apreciar novamente a cidade, a catedral, a Fernsehturm, a Museuminsel (Ilha dos Museus)…

Dado o adiantado da hora, almoçamos-jantamos Wurst (salsicha) com chucrute no Restaurante Schinkel-Klause – para os interessados, fica na Unter den Linden, n°5. Para terminarmos o dia, fomos para o Reichstag, onde enfrentamos cerca de 2h (sim!) de fila para entrar no prédio e curtir uma vista noturna de Berlim. Valeu muito a pena, mas chegamos mortos ao hotel!

Interior futurista da cúpula do Reichstag
(em azul, são as cadeiras dos parlamentares).

2° Dia

Conforme os planos originais, este seria o dia dedicado aos museus. Seguimos primeiro para o Neues Museum, onde está o busto de Nefertiti. Descobrimos (pavor!) que havia uma fila para comprar ingressos com horário marcado para entrar no Neues! Depois de momentos de pânico, pois vimos que às 10h da manhã já estavam marcando visitas para a tarde, decidimos ficar na fila e ver o que era possível fazer. Conseguimos agendar para visitar a moça de quase 3.400 anos às 14h30min… Minha sugestão para quem pretende visitar mais museus é comprar o 3-Tage-Karte (ticket de 3 dias) que inclui o Neues Museum, o Pergamon, a Nationalgalerie e muitas outras atrações por 19 euros.

Como tínhamos tempo, decidimos começar então com o Pergamon. Maravilhoso! Já visitamos muitos museus, mas o que impressiona neste é a grandiosidade das obras. Estruturas inteiras foram remontadas pedra-a-pedra neste museu: o Templo Pergamon, os portões babilônicos de Ishtar, o Portal de Mshatta… Muito impressionante mesmo!

Imprdíveis Portões de Ishtar no Pergamon Museum.

Saímos dali para nossa visita ao Neues Museum. Entramos no horário e seguimos direto para o café do Museu (Allegretto), onde nos “restauramos” (de onde você acha que surgiu a palavra restaurante?) com um café, um club sanduíche e uma torta de morango. Em seguida, fomos descobrir os tesouros egípcios que só os alemães tem… Definitivamente, este museu vale a visita, e não apenas por causa da famosa (e linda!) Nefertiti…

Jantamos na cervejaria Augustiner Bräu München, onde comemos a Curry Wurst, uma salsicha temperada com curry que é o prato típico de Berlim, e bebemos cerveja (de Munique!). E, mais uma vez, voltamos exaustos para o hotel.

3° Dia

Começamos o último dia com uma caminhada até a Haus am Checkpoint Charlie (museu privado no Checkpoint Charlie). O museu tinha uma fila básica, embora o preço seja um pouco salgado (12,50 euros). O lugar estava meio cheio, bagunçado e barulhento. Achei que precisava de mais silêncio para ler e refletir sobre tudo o que estava documentado ali… Mas para os apaixonados por História, vale a pena conferir. Fiquei bastante impressionada com as 1001 maneiras encontradas pelos cidadãos da Berlim Oriental para cruzar o famigerado muro.

Checkpoint Charlie e um Trabant  (carro da Alemanha Oriental).

Dali, seguimos para Postdamer Platz, onde entramos no Shopping Arkaden e tomamos um Wiener Melange (surpresa!) – para aqueles que não estão familiarizados, é o café favorito dos vienenses. Também aproveitamos para fotografar uma exposição de ovos de Páscoa gigantes que havia no Arkaden (era Páscoa, lembra?).

Exposição de Ovos de Páscoa gigantes,
no Postdamer Platz Arkaden.

Depois da dose de cafeína, estávamos prontos para a maratona no Deutsches Historisches Museum. Outro museu incrível que retrata a História da Alemanha desde a Idade Média, com destaque para as guerras, o extermínio dos judeus e, claro, a Guerra Fria. Muito bom!

Finalmente, almoçamos-jantamos um filé (nem só de Wurst vive um turista na Alemanha!) no Maredo próximo ao hotel, visitamos uma lojinha do Ampelmann (que é o bonequinho do semáforo e um dos símbolos de Berlim) e seguimos para o outro hotel, próximo ao aeroporto – onde no dia seguinte tomaríamos, bem cedo, o vôo para casa.

Souvenirs do Ampelmann.

Para encerrar o post, Berlim é como as cidades alemãs costumam ser: limpa, organizada, impecável. As áreas que pertenciam ao odiado muro foram recuperadas, muitos prédios novos foram construídos. O velho e o novo convivem bem, muito bem, aliás. As marcas do muro ainda estão lá. Os alemães deixaram seus contornos pela cidade, talvez um lembrete. Você pode vê-lo nas novas avenidas, como uma cicatriz. Partes dele foram propositalmente preservadas. E, claro, você pode levar um pedacinho para casa (só não me pergunte se são autênticos…), pois são vendidos em todas as lojas de souvenir.

“Cicatriz” deixada pelo muro nas modernas avenidas de Berlim.

Mais detalhes
http://pt.wikipedia.org/wiki/Berlim

Como chegamos
Voo Viena-Berlim (Austrian Airlines)

Onde ficamos
Três noites no Hotel Gendarm (muito bem localizado, novo, com uma decoração muito agradável e um bom café-da-manhã) e uma noite no Mercure Airport Hotel, cuja escolha se deveu somente à sua proximidade com o Tegel.

O que compramos
Uma boa sugestão de souvenir são os produtos da “grife” Ampelmann, são engraçados e assumem as mais variadas formas: chaveiros, canecas, camisetas, ímãs, pins, esponjas… A diversão é garantida.

Outras Dicas
A Linha 100 de ônibus, que passa em frente ao Reichstag, faz um tour pelos principais pontos de Berlim e pode substituir os famosos hop-on hop-off.
Do aeroporto Tegel você pode ir até a região mais central de Berlim usando os ônibus TXL, 109, 128, X9 (a passagem custa 2,10 euros).

6 comentários

  • Olá! Vou a berlim no ferido de pascoa do ano que vem. Chego na sexta feira santa e vou embora na quinta de manhã.
    Estou com uma dúvida: pelo o que pesquisei segunda feira os museus costumam não abrir. No feriado de pascoa na segunda eles abrem normalmente ou continuam fechados? Eu vi no site oficial (http://www.smb.museum/en/plan-your-visit.html) e o que fala é "Easter
    – Friday, Saturday and Sunday, Monday (18 – 21 April 2014): all museums open as usual on Sunday". Para mim ficou um pouco confuso. Poderia me ajudar nesse dilema? Obrigada!

    • Mesmo as segundas feiras? Porque não costuma abrir as segundas né =/

      Obrigada!

    • Oi Dani,
      Parece confuso mesmo. Comparando com outras datas que caem em dias da semana e vem a mesma coisa escrita "all museums open as usual on Sunday", eu entendo que abre todos os dias da Páscoa com horário de domingo (pelo que vi abre mais tarde nos domingos).

    • Não costuma, mas como diz que abre como aos domingos, todos os dias do feriadão devem abrir.

  • Obrigada, DeniX!

    O blog é mérito da minha amiga Carol e sua disciplina! Eu apenas dou meus "pitacos" de vez em quando… =)

  • Olá! Gostei muito do blog e desse post sobre Berlim. Foi extremamente útil encontrar tantos detalhes/sugestões.Viajo para Berlim em Setembro e aproveitarei seu roteiro para montar o meu. Obrigada!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *